A Singularity University na verdade não ensina ou treina as pessoas nas ideias de Ray Kurzweil sobre ‘singularidade’ – quer saber a respeito? Leia o livro, acesse o site ou assista ao filme. A SU também não é formalmente uma universidade – e nem quer ser. Essa história toda foi contada há poucos meses em uma matéria na Wired britânica e já comentei em outros posts aqui no Startupi.

Então, afinal de contas, do que se trata a tal da Singularity University? Entendo que tudo na SU é muito a respeito de promover o empreendedorismo em nível global, a partir de coisas muito inovadoras e pouco usuais. De certa forma, o Graduate Studies Program da SU pode ser entendido como um grande programa de aceleração.

A Kauffman Foundation, a maior organização dedicada à promoção do empreendedorismo de alto impacto no mundo, foi uma das fundadoras da SU. É uma boa pista sobre a tônica das coisas por aqui. Conversei com Sandra Miller, co-chair de empreendedorismo da SU sobre o assunto.

Sandy trabalhou vários anos na Stanford University, na promoção do empreendedorismo e transferência de tecnologia e tem uma larga experiência em ‘tecnologias hard’, especialmente na área de saúde. Uma startup em biotecnologia ou equipamentos médicos é diferente de uma startup para um novo app. A magnitude dos prazos, riscos e valores são diferentes.

O GSP tem duas grandes fases. A primeira inclui palestras, workshops e aulas. A segunda é basicamente uma ‘fase de projetos’. Temos atualmente 17 equipes trabalhando em projetos de empresas/tecnologias que deverão impactar positivamente o mundo nos próximos anos. A meta: cada projeto deverá impactar positivamente 1 bilhão de pessoas em 10 anos!

A transição entre essas duas etapas do curso foi realizada através de uma edição fechada do Startup Weekend (http://startupweekend.org/). Foi a segunda vez que participei de um SW e acho super interessante a experiência. A dinâmica aqui foi diferente do que eu já tinha participado no Brasil: os times já estavam formados e com ideias e há muita coisa de hardware e tecnologias avançadas.

Dos 17 times:

  • 1 constrói uma nova plataforma gráfica para o desenvolvimento de apps;
  • 1 produzirá um equipamento odontológico pessoal;
  • 1 desenvolve uma plataforma de inteligência artificial e big data para engajamento político;
  • 1 está construindo um ‘computador biológico’ para escrever DNA;
  • 1 montou uma plataforma para treinamento e promoção do empreendedorismo para mulheres;
  • 1 produzirá carne artificial;
  • 1 trabalha com agricultura de precisão e ‘drones’;
  • 1 trabalha com energias renováveis.
  • 1 trabalha na interface de exploração espacial e agricultura;
  • 3 estão focados em educação, com aplicações de inteligência artificial (IA), design e tecnologias sociais;
  • 4 estão desenvolvendo equipamentos avançados para diagnóstico de saúde;

Aqui estamos utilizando o modelo tipo lean startup para conduzir os projetos e a ferramenta da Lean Monitor para estruturar o processo. Contudo, muitas das áreas dos projetos apontam os limites da abordagem de lean startup, conforme eu e a Sandy conversamos no bate-papo sobre empreendedorismo na SU. As coisas são mais complexas em áreas nas quais é preciso usar laboratórios, testar protótipos de hardware, fazer testes clínicos etc.

Para além do assunto ‘projetos do GSP’, há um tema que interessa a todos no Brasil: a construção de ‘ecossistemas de inovação. A Sandy lidera a iniciativa de montar uma aceleradora/incubadora na Singularity (SU Labs), a ser em breve complementada por um SU Fund. Pode até parecer contraditório em princípio, mas o local no qual há um dos ecossistemas de inovação mais desenvolvidos do mundo é justamente onde as pessoas mais se preocupam em construir novas estruturas e conexões.

Qual é o segredo do sucesso para isso? A Sandy contou que no caso de Stanford o segredo foi trazer gente de fora, da indústria, para dar aula, fazer palestras e conviver com os estudantes – mais de 100 profissionais. Esses profissionais participavam do programa sem cobrar, pois era um meio para terem acesso privilegiado a novas ideias e, muito possivelment, para arejar a cabeça e se divertir. Mas a dica mais preciosa, acredito, é que coaches e mentores precisam ser avaliados! Você já encontrou algum mentor que não tem experiência de negócios ou que agrega pouco à startup? Pois é… para o processo funcionar esses caras precisam ser cortados do circuito. Para isso, é preciso avaliação!

Por fim, falamos sobre o desafio de lidar com empreendedores em um programa de treinamento. Como fazer para gente inquieta ficar sentada na cadeira assistindo aula/palestra e manter o pique depois? Bom debate! Confiram o papo.

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