Estamos na era das redes e dos softwares sociais, as soluções e tecnologias que facilitam a comunicação e a interação entre pessoas ou organizações, estimulando relações entre o grupo e entre grupos, para o desenvolvimento de projetos, negócios e interações mutuamente benéficas.

Mas esta também é a era de um outro movimento empreendedor crescente que leva “social” no nome. São os negócios sociais, ou negócios com impacto social, como prefiro. São modelos de negócios que podem se utilizar de tecnologia ou não, que buscam escala e crescimento para gerar lucro e impacto social positivo através dos produtos ou serviços que produzem.

E o Brasil é um dos países com maior potencial de se tornar referência no mundo todo em negócios com impacto social. Pois, se de um lado temos a sétima maior economia mundial, com cerca de 80% da população (160 milhões de pessoas) pertencentes às classes C, D e E (que, juntas, possuem quase 50% do poder de compra no Brasil), do outro lado temos uma população muito mal servida (as famílias do topo da classe C vivem com uma renda por pessoa de R$ 20 a R$ 25 por dia, insuficiente para almoçar todo dia em um restaurante por quilo em um bairro nobre de São Paulo ou do Rio de Janeiro) e uma das piores distribuições de renda do mundo, demonstrada pelo Coeficiente de Gini.

E as questões não param por aí. Apenas para citar algumas: 75% da população brasileira não possui plano de saúde, cerca de 70% dos estudantes das classes C, D e E não passa do ensino básico, 65% das classes D e E não possuem acesso a nenhum tipo de crédito, existe um déficit habitacional de 8 milhões de unidades, etc. Se, por um lado, esse cenário reflete uma situação triste para nosso país, por outro, trás enormes oportunidades para quem quer empreender e desenvolver soluções para os problemas mais graves do Brasil.

Existem, sim, oportunidades de negócios para quem quer melhorar a vida das pessoas de baixa renda. Não é à toa que há todo um ecossistema crescendo no Brasil para ajudar o seu desenvolvimento. São aceleradoras especializadas no assunto, como Artemisia, Pipa e SWAP; fundos de investimento nacionais e internacionais (que há dois anos eram apenas 2 e, hoje, já são 9); cursos em universidades (FGV e FEA); e empreendedores desenvolvendo negócios buscando causar impacto, como Saútil, Geekie, WPensar, Quitei, entre outros.

Eestamos apenas começando. Se sua paixão é ver um país melhor e mais igual para todos (e ganhar dinheiro fazendo isso!), sua opção pode ser desenvolver um negócio social. E se for o caso: bem-vindo ao time! 

 

 

Foto: Penelope42/Flickr