É nossa obrigação jornalística fechar a trinca dessa série especial, sob o título “Dissecando o Start-Up Brasil”, que trouxemos ao longo das duas últimas semanas por aqui.

Agora, com um elemento fundamental dessa equação, depois de startups e dos gestores do programa: as aceleradoras. Foi corrido e complexo para todos – eu bem sei! – mas o resultado está abaixo, com muitas informações interessantes sobre o que aconteceu e está para acontecer.

Como já disse no primeiro texto, a ideia aqui – sem juízo de valor – é iniciar um corolário sobre essa parte tão importante do ecossistema, além de fornecer algumas alternativas de melhorias para o Programa Start-Up Brasil. Aproveite, apreenda – e empreenda.

Desempenho dos empreendedores acelerados via Start-Up Brasil

 

“A nossa experiência sempre nos mostrou que o fator mais decisivo para o sucesso de uma startup em aceleração é a atitude e comprometimento dos empreendedores. Por isso, é fundamental que o programa Start-Up Brasil inspire e permita que os empreendedores se desenvolvam. Esta tem sido a nossa posição nesta primeira turma de aceleração. A nossa impressão sobre a lista da 2a chamada é positiva, pois vemos empresas mais estruturadas e com mais tração acreditando na estrutura do Start-Up Brasil e na atuação das aceleradoras. Este é, sem dúvida, o maior indício de inicio da criação de um ecossistema de startups digitais mais unificado e fortalecido no Brasil.” (Frederico Lacerda, da 21212)

 

“Estamos satisfeitos de trabalhar com a ChipInside, os empreendedores estão motivados e pensam grande, o que para nós é fundamental. Do trabalho feito até agora, boa parte foi executado à distância – e isso certamente é um ponto negativo. Para o 2º batch já estaremos com nosso espaço operacional, assim, esse problema estará sanado. Dentre os benefícios do Startup Brasil, eu destacaria dois principais diferenciais em relação ao processo de aceleração independente: eficiência na captação ao ajudar a gerar deal flow para as aceleradoras e os recursos financeiros.”  (Sergio Yates, da Acelera Brazil)

 

“O resultado está bom até agora, diante de pouco menos da metade do programa. Resultados têm sido rápidos, então a aceleração, de maneira geral tem, sido boa. Alguns até surpreenderam a gente de maneira muito positiva.” (Felipe Byrro, da Acelera MGTI)

 

“Estamos muito felizes com a qualidade das empresas selecionadas. Conseguimos ver que o processo de seleção foi bem pensado e alinhado as expectativas das aceleradoras. Além disso, percebemos a motivação dos empreendedores no dia a dia da aceleração, o que ajuda bastante na execução das tarefas, participação dos workshops e aproveitamento geral do programa. A Aceleratech está muito feliz por fazer parte desse seleto grupo de aceleradoras e por poder contar com talentos desse nível.” (Caroline Piguin, da Aceleratech)

 

“Os nossos empreendedores estão bem focados e comprometidos em obter sucesso. Mas falta justamente melhor entendimento de como funciona gerenciar processos empresariais e governança.” (Robert Janssen, da Outsource Brazil)

 

“Temos aqui duas empresas sendo aceleradas via SUPBR e ambas estão indo muito bem. Os times são ótimos, muito dedicados e por conta das bolsas eles podem ficar mais tranquilos, sem se preocupar em ter que arrumar jobs para compor a renda, ou seja, dedicação total MESMO.” (Aloisio Moraes, da Papaya)

 

“De forma geral, estamos satisfeitos com as startups selecionadas pelo Startup Brasil e que estão sendo aceleradas pela Wayra. Tivemos empresas que entraram já com faturamento e conseguiram ampliá-lo de forma expressiva, e outras que entraram em fase de beta fechado e estão prestes a lançar o produto publicamente. As bolsas do CNPq certamente fizeram diferença para acelerar a maturidade dos produtos desenvolvidos e um melhor aproveitamento do programa de aceleração.” (Carlos Pessoa Filho, da Wayra)

Visão geral do programa

 

“Bem, no momento ainda estamos em fase pré-operacional, embora já estejamos trabalhando com uma empresa – a ChipInside. Estamos trabalhando no 2º batch do Startup Brasil para ter um número maior de empresas e recuperar esse 2º. Semestre, que acabou sendo de pouca atividade.” (Sergio, da Acelera Brazil)

 

“O Start-Up Brasil é um programa bacana; o apoio do governo dá um selo para startups e abre algumas portas, assim como dá uma reputação. Para startups, isso é muito bom. Já na visão da aceleradora, está sendo muito bom; já tínhamos know-how de aceleração devido à incubadora que temos, mas ele ficou muito mais alto com o Startup Brasil. O networking que abriu para as aceleradoras também foi muito importante. A meu ver, o ponto negativo é a burocracia, lidar com isso está sendo uma dificuldade para as startups.” (Felipe, da Acelera MGTI)

 

“Acima de tudo, acreditamos que o Start Up Brasil se diferencia por ser gerenciado por gente que entende do assunto e participa ativamente do ecossistema. A qualidade da equipe de gestão é um dos pontos mais importantes para nós.  Existe uma busca por melhorar sempre e um forte envolvimento da equipe do MCTI e CNPq, que é bastante presente. Mas , acima de tudo temos certeza que o impacto causado pelo programa no Brasil será excepcional nos próximos anos” (Caroline, da Aceleratech)

 

“O programa vem preencher uma lacuna que existe há muito tempo, que é o governo criar os devidos estímulos para fomentar o desenvolvimento de um ecossistema sustentável de inovação e empreendedorismo” (Robert, da Outsource)

 

“Nós, da Papaya, vemos o programa com bons olhos. Aliás, é ótimo perceber que o governo enxerga o empreendedorismo de base tecnológica como algo capaz de causar impacto positivo no país. É claro, como tudo que é novidade, houve algumas complicações no começo, afinal são 3 agentes envolvidos para a coisa acontecer (as aceleradoras, as startups e o governo). As empresas reclamaram e tiveram bastante dificuldade principalmente com a implementação das bolsas, mas agora está tudo resolvido. Acreditarmos ser normal esses pequenos problemas, o importante é que o time do SUPBR está sempre disposto a dar suporte e resolver tudo o mais rápido possível.” (Aloisio, da Papaya)

 

“A existência do programa, por si só, é um marco e um avanço importante no fomento de startups digitais de alto impacto no Brasil. Como todo programa pioneiro, existem arestas a serem aparadas e pontos a serem melhorados. Como pontos positivos, no entanto, vale ressaltar:
(i) o comprometimento da equipe do programa e do CNPq com o sucesso da iniciativa. Todos tem um espirito empreendedor e estão abertos a feedback e a melhoria constante do programa.
(ii) Sem sombra de dúvidas, outro ponto positivo do programa é não só o montante total do subsidio oferecido às startups, mas também um mecanismo menos pesado e engessado para a prestação de contas do uso do dinheiro, em comparação a outros programas governamentais.

Já nos pontos que precisam ser melhorados, vale mencionar alguns:

(i) a impossibilidade das aceleradoras participarem do processo de avaliação das Startups que aplicaram ao programa. É muito complicado para qualquer investidor tomar a decisão de investir ou não em uma startup analisando somente um formulário que foi preenchido via Web. Por se tratar de uma parceria publico-privada, a aceleradoras deveriam poder avaliar os candidatos da mesma forma que faz em seus processos seletivos: com entrevistas individuais e a possibilidade de fazer análises mais aprofundadas. Da mesma forma, o governo poderia se beneficiar e melhorar sua tomada de decisão caso entrevistasse os candidatos finalistas.

(ii) O processo de obtenção de bolsas do CNPq, assim como a sua plataforma, não é dos mais simples e poderia ser otimizado.

(iii) O processo para startups estrangeiras se regularizarem no Brasil é muito complicado e burocrático. Isto não é de responsabilidade do programa, mas sim da legislação brasileira. No entanto, um detalhamento passo-a-passo do processo de obtenção de visto, como abrir uma LTDA, como obter um CPF, como abrir uma conta no banco etc, além de um acompanhamento/ assessoria aos estrangeiros por parte do programa seria bem-vinda e poderia fazer muita diferença.” (Carlos, da Wayra)

 

Participação dos empreendedores no programa e a influência no andamento dos trabalhos

 

“O problema de aceleração é acelerar pessoas, né? O papel do empreendedor é voltado a criar a startup e integrá-la no programa de aceleração, participando e ajudando outros empreendedores. Isso é muito importante em uma aceleradora: agregar. O benefício para o grupo é crucial. Ter pessoas com essa mentalidade e participação é importantíssimo para a aceleração. Não só dentro do time que está sendo acelerado, mas na aceleradora como um todo.” (Felipe, da Acelera MGTI)

 

“Nosso programa é extremamente intenso, repleto de atividades e entregáveis, e é fundamental que os empreendedores estejam extremamente motivados e envolvidos em todo o processo para chegar ao resultado planejado. O fato dos empreendedores selecionados pelo programa terem acesso a uma bolsa é um elemento psicológico importante para conseguir focar em um plano estruturado e buscar investidores apenas quando for o momento certo.” (Caroline, da Aceleratech)

 

“Vital. Imperativo.” (Robert, da Outsource)

 

Diferenças entre aceleração dentro do programa vs. fora do programa

 

“Tem diferença dependendo da interpretação, porque, se ele só é baseado no Programa Start-Up Brasil, a pressão em cima da aceleradora é muito maior.” (Felipe, da Acelera MGTI)

 

“Não diferenciamos as empresas do Start Up Brasil das selecionadas em nossos processos, por acreditarmos na legitimidade da seleção feita pelo programa e por termos certeza sobre a qualidade e eficácia de nosso programa de aceleração. Aqui na Aceleratech, a unica coisa que diferencia as empresas é a capacidade de execução.” (Caroline, da Aceleratech)

 

“Do ponto de vista de execução, não. A única diferença que ainda precisa ser validada, pois o programa está no seu início, é como ter participado no programa empresta automaticamente uma referência de qualidade.” (Robert, da Outsource)

 

Primeira impressão de vocês sobre a lista de selecionados da segunda rodada

 

“Em relação as empresas selecionadas do 2o batch, eu diria que não foram muito diferentes do 1o grupo, com muitas ideias ainda não testadas e empreendedores de primeira viagem. Por outro lado identificamos algumas empresas com foco no setor de saúde, o que jé bastante interessante tendo em vista o potencial desse mercado. O governo também se mostrou mais ágil nessa rodada, o que era de se esperar em função da curva de aprendizagem. O grupo do Startup Brasil tem feito um bom trabalho de comunicação junto as aceleradoras, sempre que precisamos temos acesso as informações necessárias, essa disponibilidade nos deixa bastante confiantes na equipe.” (Sergio, da Acelera Brazil)

 

“A impressão foi boa, há projetos interessantes na lista. Estamos em fase de negociação para agora realmente entender os projetos a fundo, não posso falar tanto porque não os conheço profundamente. (Felipe, da Acelera MGTI)

 

“Identificamos várias empresas interessantes, e conseguimos perceber que houve a preocupação de mesclar perfis de negócios para todas as aceleradoras. A cada nova rodada de aceleração conhecemos novos amigos (e sócios) e descobrimos que não existe limites para a criatividade e a capacidade colocar idéias em prática. Um dos pontos mais importantes do nosso negócio é selecionar os melhores times para a aceleração e acredito que temos vários bons negócios nesta nova turma.” (Caroline, da Aceleratech)

 

“Ainda estamos analisando a fundo as startups e começaremos a conversar com o pessoal. A primeira impressão é boa, vimos bons times e produtos porém ainda temos que conversar com cada um deles e ver se há realmente o “match” para a aceleração.” (Aloisio, da Papaya)

“Boas oportunidades.” (Robert, da Outsource)

 

“De forma geral, muitas empresas que sugiram em nossas análises do formulário como boas oportunidades de investimento estavam na lista de selecionados pelo programa. Isso é ótimo e demonstra um alinhamento do que as aceleradoras estão buscando. No entanto, outras empresas que julgávamos ótimas oportunidades não apareceram na lista causando um pouco de frustração. Não pelo fato de não estarem na lista, mas pelo fato de nós não podermos expressar como uma startup em particular é adequada a nossa tese de investimento e como poderíamos fazer a diferença naquele negócio.” (Carlos, da Wayra)