Faz tempo que eu e o pessoal estamos de gato e rato, dando dicas, seguindo pistas, farejando, saindo pela tangente. Pessoas diferentes dizendo e desdizendo coisas. E falta mais um tempo para eles lançarem a iniciativa oficial de fomento de startups que alguns consideram ser inspirada no Start-Up Chile – mas pra mim parece mais com o Prime.
Ainda nem querem divulgar as informações, mas, como eu ainda trabalho pro mercado, não pro governo (apesar de alguns envolvimentos pontuais), lá vai a notícia, em caráter totalmente extra-oficial.
De acordo com a melhor fonte de informações que encontrei até agora sobre este assunto (e outros), que eu não vou identificar, entre o final de julho e o final de agosto, o Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai lançar um edital para seleção de aceleradoras. Entre todas as interessadas, as 4 que forem melhor avaliadas em termos de gestão e mentores vão participar da primeira rodada do programa. Quando forem selecionadas, as 4 aceleradoras poderão indicar um portfolio de empresas para o MCTI, e metade dessas empresas vai receber subsídio de R$ 200 mil. Neste aspecto, o projeto se assemelha mais ao Prime (que foi realizado pela Finep e teve entidades regionais fazendo seleção e gestão) do que ao Start-Up Chile (que dá visto de trabalho e 40 mil dólares para empreendedores estrangeiros se manterem por 6 meses no país). Pelo que pude conferir, há cerca de 20 consultores envolvidos na criação do programa, que parece muito mais organizado do que se pudesse imaginar. Tomara que isso não signifique burocracia, mas critério de qualidade, para não emperrar por preciosismo nem murchar por oportunismo.
O MCTI tem um orçamento anual de R$ 25 bilhões para ser aplicado em Tecnologia e Inovação, mas no ano passado “guardou” R$ 800 milhões porque não conseguiu usar. Portanto, para mim este novo programa de apoio a startups será o “Vai ou Racha” do mercado, que parece estar muito mais desenvolvido do que na época do Prime (mesmo que nem tão maduro quanto a maioria espera). Espero que não aconteça o que aconteceu com o da Finep: foi descontinuado por problemas de gestão (irregularidades por parte dos empreendedores e das entidades credenciadas). Espero também que tenha muito mais sucesso do que os programas que sustentam as incubadoras (são mais de 400 delas no país, provavelmente bem mais do que o número de empresas ou produtos de sucesso já incubados).
Nem vale especular se o nome do programa vai mesmo ser Start-Up Brasil (que há anos já vem sendo usado pelo mercado como nome de livro, de blog, de grupo de discussão, de fanpage, etc), mas espero que seja algo que tenha a ver com “entregar inovação”, não simplesmente de “iniciar projetos de forma incerta”. Por enquanto, para mim, chama-se “Vai ou Racha”.
Tomara que vá. Se rachar, que não seja um fiasco tão grande neste momento tão especial. Quem sabe pivote e fique parecido com um Startup Act norte-americano. Ou quem sabe tudo isso aqui seja, mais uma vez, especulação ou pista falsa. Saberemos.
Imagem ilustrativa: MCTI.











19 comments
O mais parecido com algo assim que tivemos pelo governo foi o PRIME do Finep, 120mil de subvenção econômica a projetos iniciantes e inovadores. Até aí foi ótimo, mas dos projetos financiados, poucos realmente entregaram inovação ao mercado. A questão é: não trata-se apenas de dinheiro. Em quanto isso, torcemos!
É mais uma manobra demagógica do PT no período pré-eleitoral… Depois de outubro eles esquecerão…
Brasileiro é foda.
Se o governo não faz nada pro empreendedor é omisso, não investe em inovação, só pensa no empresário que financia a campanha e nos bancos, não fomenta o empreendedorismo, etc.
Se discute um projeto (e acho que discutiu tempo demais antes de falar em lançar alguma coisa) pra incentivar o empreendedor, trata-se de manobra eleitoral que será logo esquecida.
Parabéns, cara! Seu comentário foi super produtivo!
Como eu havia falado no facebook e o Diego pediu pra trazer pra cá, eu espero que as fontes que passaram a informação estejam erradas e que o modelo não seja focado em algumas aceleradoras que indicarão as empresas contempladas.
Ter suporte de aceleradoras e mentores pós-investimento eu acredito que seja vital, mas não acho que a seleção deva ser atrelada a elas. Gosto bastante do modelo de seleção do Startup Chile que me parece justo e transparente (não participei, não me inscrevi, mas acredito no modelo deles).
Deixar na mão de aceleradoras pode "fomentar" o surgimento de panelinhas. Por mais que eu confie na seriedade do Yuri Gitahy, da Aceleradora, no pessoal da 21212, do Porto Digital, entre outros, qual o incentivo eles tem de buscar empresas fora das que eles já investiram, quando eles podem "vitaminar" as que já receberam aporte e mentoria deles com mais R$ 200 mil?
Acho que seria na real um momento para rever o que está sendo feito com de trabalho com as incubadoras (que realmente não produziram nada em comparação com o que foi destinado de recurso) e profissionalizar este trabalho para potencializar o resultado das incubadoras com recursos do governo e mentoria de qualidade pras empresas.
Alguém saberia citar ao menos UM projeto/empresa/produto de sucesso que o Finep ajudou a criar com o Prime?
Me parece que o modelo em si está equivocado, as incubadoras são apenas Ongs incompetentes no que se prestam a fazer! Torçamos para que dessa vez alguém realmente competente (e não um apadrinhado político) esteja à frente desse projeto.
Apesar de tudo, o dinheiro do Finep foi sim empregado de uma forma interessante. Com R$ 1 bilhão que seja, que é nada pro governo, dá pra financiar centenas de projetos com excelente potencial. Precisamos continuar nesse caminho que logo teremos casos de sucesso que ajudarão a aperfeiçoar programas de Start-ups como esses!
Pode parecer paradoxo, mas observe os países mais tecnologicamente avançados no mundo de hoje, incluindo os chamados "tigres asiáticos, nenhum país avança em tecnologia cobrando altíssimos impostos de importação em material eletrônico.
Existem muitas idéias provenientes dos tempos de ditadura militar, e ainda em prática, no Brasil e em outros países Sul Americanos que apenas servem para nos atrasar economicamente. Imposto de importação é uma delas. Acabe com esse imposto maldito e empresas nacionais serão capazes de desenvolver tecnologia própria ao invés do Brasil ter que pagar para ter empreendedores investindo no país.
Cara, foi mal, mas esse texto está mal escrito. Não dá para entender quase nada. Acho que só que entende do assunto conseguiu entender. Esse primeiro parágrafo então, parece grego
Queria ver incentivo não na forma de dinheiro, mas na forma de menos burocracia e carga tributária mais leve/flexível.
Acompanhe o mercado e entenderás.
Concordo, muta panelinha no mercado, cartas marcadas!
Vai ser carta marcada, como todos os outros programas do governo. #ficaadica
Se vai ser carta marcada ou não, isso faz diferença? Acredito que todas as aceleradoras, se escolherem empresas já conhecidas, escolherão por acreditar no potencial delas. O que é melhor, ela escolher uma que ela confia no projeto e no empreendedor, ou ler arbitrariamente sumários executivos e escolher este?
Claro que eles vão privilegiar os projetos que eles já acreditam ter potencial. Quem está fora do circulo deles, vai ter sim que batalhar mais pra conseguir impressionar. E é assim que funciona, e MUITO bem, o setor privado. Tudo que o governo puder fazer que se assemelhe ao setor privado, é mais produtivo.
O mais importante é que se tenha os instrumentos para garantir que o dinheiro está sendo bem empregado, o que ai já é outra história. O dinheiro do PRIME por exemplo, foi mal utilizado por muita gente.
Nesse ponto, o StartupChile manda muito bem. Primeiro você gasta o seu dinheiro, depois o StartupChile te paga de volta.
Caro Lúcio, a 21212 seguirá selecionando 20 startups por ano para o nosso processo de aceleração, independente de programas de incentivo. Não fomos contatados por ninguém do Governo Federal até agora sobre este programa. Caso ele de fato se materialize e haja incentivos para as startups selecionadas, temos como prioridade dar uso a estes recursos no aprimoramento da captação de usuários para validação e desenvolvimento do modelo de negócios.
it truly amazes me on how you come up with that conclusion. simply astonishing.
Em tese não serão as aceleradoras que irão escolher:
http://www.valor.com.br/empresas/2855582/edital-p…
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Eduardo, no seu link diz:
"o governo vai lançar em novembro um edital para a seleção de quatro aceleradoras que serão responsáveis pelo apoio aos projetos de empresas novatas no Brasil. Cada uma dessas organizações responderá por uma faixa de oito a dez startups".
Mas – concordo – pode ser que a realidade aconteça diferente.
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