Entre os dias 19 e 22 de outubro, os olhos dos acadêmicos em empreendedorismo na América Latina estão voltados para Lima, no Peru, onde está acontecendo o Roundtable on Entrepreneurship Education (REE) Latin America.

Sei que eu deveria estar dormindo, mas vou tentar escrever um post com o que aconteceu durante o dia. Eu saí s 6:00 da manhã da minha casa, em São Paulo, cheguei aqui ao meio dia no horário local (-3 horas) e fiquei até agora envolvido com os eventos. No Brasil eram 2h12 quando comecei a escrever.

O REE Latin America é uma conferência voltada colaboração de acadêmicos em empreendedorismo de escolas de engenharia, ciências biológicas e escolas de negócios, com o objetivo de juntá-los para discutir como melhor aproveitar o potencial combinado de todas estas áreas do conhecimento. O REE LA 2010 é promovido pelo Stanford Technology Ventures Program (STVP) em parceira com a ESAN, escola de negócios do Peru.

Hoje foi a abertura do evento. Quem iniciou falando foi a professora Tina Seeling, de Stanford, Jorge Tavalera, reitor da ESAN e Edgar Galvan, diretor de Micro e Pequenas Empresas do governo peruano. O reitor Jorge Tavalera apresentou a ESAN e contou da sua criação, com a ajuda de Stanford, 50 anos atrás e fez um paralelo com a criação da FGV, também a 50 anos, que contou com o apoio da Michigan State University. Ele também falou de um número bastante alarmante, que eu já havia citado de forma semelhante em um artigo este ano. De todas as patente do mundo, apenas 3% estão na América Latina e, destes 3%, 75% estão concentradas no Brasil, Mexico e Argentina. O representante do governo Edgar Galvan falou que o Peru é constituido em 99% de micro e pequenas empresas e que a grande maioria destas empresas se vê longe da inovação. Elas entendem que inovar não é para elas e está longe do seu alcançe.

No início da parte da tarde houve um painel com os pesquisadores e professores Rodrigo Varela, Guido Caicedo e Luis Felipe Calderon Concloa. Varela, da Universidad ICESI (Colômbia), falou sobre um documento inglês de 2003 entitulado “The Future of Higher Education”. Este documento apresenta a diferenças nos paradigmas das universidades tracionais, focadas em pesquisas e das universidades empresariais, que deveriam se focadas na aplicação das pesquisas e, portanto, empreendedoras. Caicedo, da ESPOL (Equador), apresentou a importância de encontrar as vocações regionais para o desenvolvimento do empreendedorismo em determinada área e ressalto relevância da criação de ‘networking’ entre os países latino-americanos no que concerne a este tema. Calderon Moncloa, da ESAN, fez um paralelo entre o empreendedor e empresário e apresentou sua visão de que o empreendedor é aquele que introduz novidades, mesmo sem estar dentro de qualquer organização.

O final da tarde foi dominado pela professora Tina Seeling. Ela contou do tema que trabalha com seu alunos em Stanford: criatividade. Ela realizou uma série de exercícios com os participantes, permeados da apresentação dos conceitos que ajudam a liberar a capacidade inovadora. Em primeiro lugar está “prestar atenção”, ou seja, olhar os detalhes de tudo que está sua volta. Às vezes muitas oportunidades são perdidas por não termos atentado aos detalhes. Depois vem “conectar e combinar”.

Com isso ela mostrou que juntar vários recursos podem ajudar em uma solução. O conceito de “the 3rd third” ajuda as pessoas a ver que a primeira e a segunda soluções mais óbvias nem sempre são as melhores soluções, apesar de serem adotadas pela maioria (em contraponto a isso ela também mostrou um projeto na NASA que gastou milhares de dólares para desenvolver uma caneta pressuriza que escrevesse no espaço, enquanto os Russos simplesmente usavam um lápis).

Ela também apresentou a importância do espaço em que se trabalha e do tempo que se tem para trabalhar ao desenvolvermos inovações. Por fotos fica claro que os ambientes onde a maioria das pessoas trabalha é limitador e não ajuda a fluidez da criatividade e argumenta que, s vezes, ter um curto espaço de tempo para resolver problemas, ou seja, pressão, faz com que boas soluções sejam produzidas rapidamente.

Por último, nós jantamos em um restaurante chamado La Rosa Náutica. Estava sensacional. O dia foi sensacional. Amanhã eu continuo a aumentar este texto. Boa noite. Ou bom dia.

PS: quem não quiser esperar outro texto, pode ver as atualizações em doses homeopáticas no http://twitter.com/renejrfernandes!